Máximo rendimento numa lavandaria industrial.
Quando se trata de rentabilizar uma lavandaria industrial, a maioria das pessoas pensa logo em comprar uma máquina com maior capacidade ou mais moderna. Na prática, a maior parte do desperdício está noutro lado: em cargas mal feitas, em máquinas desreguladas, em manutenção que só acontece quando algo avaria. Em hotéis, hospitais e lares, onde a lavandaria trabalha todos os dias e não pode parar, esses pequenos desvios acumulam-se e refletem-se na fatura ao fim do mês.

Deixamos aqui alguns tópicos do que faz realmente diferença, por ordem de importância.
1. Comece por aferir a quantidade roupa a lavar.
Este factor parece óbvio, mas muitas lavandarias não sabem quanto lhes custa um quilo de roupa lavada. Sem esse número, qualquer melhoria é um palpite.
Vale a pena acompanhar, no mínimo:
Água por quilo de roupa (litros/kg)
Energia por quilo (eletricidade e gás ou vapor, kWh/kg)
Produtividade por hora de trabalho (kg/hora por operador)
Taxa de relavagens (a roupa que volta a entrar porque não saiu limpa)
Basta uma folha de cálculo e algumas semanas de registos. Quase sempre, os números surpreendem.
2. Carregue as máquinas como deve ser
É o erro mais comum e o mais caro. Uma máquina meio vazia gasta quase a mesma água, energia e detergente que uma cheia. Uma máquina sobrecarregada lava mal, desgasta componentes como os rolamentos molas e amortecedores e obriga a repetir o ciclo de lavagem.
A regra é simples: respeitar a capacidade nominal indicada pelo fabricante e pesar as cargas, nem que seja no início, até a equipa ganhar o olho. Separar a roupa por tipo e grau de sujidade também ajuda muito. Lavar lençóis pouco sujos com panos de cozinha muito engordurados obriga a programas mais agressivos para tudo.
3. Acerte nos programas e na dosagem
Cada tipo de roupa pede o seu programa. Usar sempre o ciclo “mais forte, para ter a certeza” gasta mais água, mais energia e mais químicos, e encurta a vida dos tecidos.
Alguns pontos a rever:
Temperatura: lavar a 90 °C o que ficava limpo a 60 °C é dinheiro deitado fora. Os detergentes atuais funcionam muito bem a temperaturas mais baixas, desde que a dosagem esteja certa.
Dosagem automática: a dosagem feita à mão varia de pessoa para pessoa e de dia para dia. Um sistema de doseamento automático poupa produto e dá resultados constantes.
Enxaguamentos: mais não é sempre melhor. Existe um ponto em que enxaguar mais só gasta água.
Em hospitais e lares, onde a desinfeção térmica ou química é obrigatória, os programas devem ser validados em conjunto com o fornecedor dos produtos, para cumprir as normas sem exageros.
4. Tire a água antes de secar.
Esta é uma das poupanças mais subestimadas. Secar roupa é a operação mais cara de toda a lavandaria, porque gasta muita energia. Cada ponto percentual de humidade que fica na roupa à saída da máquina de lavar paga-se depois no secador ou na calandra.
Uma centrifugação eficiente, reduz o tempo de secagem e o consumo de gás ou eletricidade. Vale a pena confirmar a velocidade e o tempo de centrifugação dos programas, e verificar se o equipamento ainda está a extrair o que devia.
5. Cuide dos secadores e das calandras
Duas coisas simples que muita gente esquece:
Limpar os filtros de borbotos com a frequência certa, todos os dias em utilização intensa. Um filtro entupido aumenta o tempo de secagem e é, além disso, um risco de incêndio.
Manter as condutas de exaustão desobstruídas. Se o ar não sai, a máquina trabalha mais e gasta mais.
Nas calandras, o estado das telas, das fitas e das superfícies de passagem influencia diretamente a qualidade do acabamento e a velocidade de produção.
6. Manutenção preventiva, não apenas corretiva
Uma avaria a meio da semana, com o hotel cheio ou a enfermaria a precisar de roupa, custa muito mais do que a reparação em si. Há a roupa acumulada, as horas extra, a subcontratação de emergência.
A manutenção preventiva programada, com revisão de rolamentos, correias, válvulas, vedantes, resistências e sistemas de doseamento, evita a maior parte dessas surpresas. É também a forma de manter as máquinas a consumir o que consumiam quando eram novas, em vez de irem perdendo eficiência sem ninguém dar por isso.
Um bom contrato de manutenção, com plano de intervenções e resposta rápida em caso de avaria, costuma pagar-se a si próprio.
7. Organize o fluxo de trabalho
Uma lavandaria bem pensada tem a roupa a circular num só sentido: da receção da roupa suja até à expedição da roupa limpa, sem cruzamentos nem voltas desnecessárias. Isto é importante pela higiene, sobretudo em ambiente hospitalar, mas também pela produtividade.
Perguntas úteis:
A roupa suja e a roupa limpa cruzam-se em algum ponto?
A capacidade de produção das máquinas está conjugada?
Os funcionários andam muito para carregar e descarregar?
A zona de dobragem e embalamento acompanha o ritmo da zona de lavagem e secagem?
Às vezes, mudar uma máquina de sítio ou reorganizar o layout rende mais do que um equipamento novo.
8. Forme a equipa
O melhor equipamento do mundo rende pouco nas mãos de quem não sabe usá-lo. Uma equipa que percebe porque é que as cargas têm um peso certo, porque é que o programa é aquele e o que fazer ao primeiro sinal de uma anomalia, evita desperdício todos os dias.
Uma formação curta, repetida de vez em quando, e instruções claras junto de cada máquina chegam muitas vezes para resolver metade dos problemas.
9. Quando faz sentido investir em equipamento novo
Há situações em que a melhor resposta é mesmo substituir. Se uma máquina tem muitos anos, avaria com frequência, gasta muito mais do que as atuais ou já não tem peças disponíveis, o custo de a manter pode ultrapassar o de uma nova.
O equipamento moderno traz ganhos reais: menos água e energia por quilo, controlo mais preciso dos programas, recuperação de calor, maior capacidade no mesmo espaço. Mas convém fazer as contas com base nos números da sua lavandaria, e não apenas nas promessas da ficha técnica.
10. Indicadores de Desempenho (KPIs) a Monitorizar
Para gerir o rendimento, é obrigatório medir o desempenho diariamente através de métricas financeiras e produtivas claras:
• Produtividade do Pessoal: Medido em kg de roupa processados / hora por trabalhador.
• Consumo de Recursos: Meta ideal de 4 a 7 litros de água por kg de roupa (em túneis de lavagem).
• Rácio de Rejeição: Percentagem de roupa que necessita de ser relavada (deve ser inferior a 2%).
• OEE (Eficiência Global do Equipamento): Relação entre o tempo que a máquina esteve a trabalhar versus o tempo disponível.
Em resumo
Rendimento numa lavandaria industrial não vem de uma medida milagrosa. Vem de medir, de carregar bem, de ajustar os programas, de extrair a água, de fazer manutenção a tempo e de ter uma equipa que sabe o que faz. Quase sempre há margem de melhoria sem grandes investimentos.
Por último, e em caso de dúvida, tal como acontece com qualquer equipamento de uso profissional, deverá aconselhar-se com um profissional qualificado, podendo para isso entrar em contato com a FIMPEX., Lda, por email: [email protected], por telefone: 220 991488, que encontrará sempre um profissional pronto para ajudar.


